Quarta-feira, 30.10.13

Quando os lóbis uivam

 

Um estado melhor

Pois pior não pode ser

Mas seja lá o que fôr

É preciso empobrecer

 

Quando os lóbis uivam

O país cai de joelhos

Há horizontes que turvam

Roubam-se novos e velhos

 

Aos velhos são os tostões

Aos novos é a esperança

Este é o nosso guião

 

Num tempo sem ilusões

É necessária perseverança

Pr’a dizer este futuro não.

publicado por poetazarolho às 23:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 27.10.13

Selva perdida

 

Há criaturas na selva

Que nem selvagens são

E no esplendor da relva

Ele existe muito cão

 

Esta é uma lei ancestral

E da selva conhecida

Onde se apregoa moral

Mas se luta pela vida

 

Já ninguém acredita

Em promessas repetidas

Duma selva melhorada

 

Agora a selva crepita

Vêem-se copas ardidas

Ao longe terra queimada.

publicado por poetazarolho às 21:57 | link do post | comentar
Sábado, 26.10.13

Baldroika

 

Estou preso à troika

Por ser mal comportado

Não foi troika baldroika

Mas foi por ter gastado

 

Foi por ser megalómano

Seguir a Europa a preceito

Não foi por ser pirómano

Fui porque me pus a jeito

 

Com as pescas acabei

E também a agricultura

E fui-me deitar ao sol

 

Foi bom enquanto gozei

Mas foi sol de pouca dura

Pois logo veio a factura.

publicado por poetazarolho às 00:04 | link do post | comentar
Quarta-feira, 23.10.13

Não sorrirás

 

Aqui vai a gargalhada

Há muito não se ouvia

Está um pouco abafada

Por escassear a alegria

 

Qu’a malta anestesiada

É facto não se contagia

Mas vai sendo minada

Pela estranha letargia

 

Que corrói a esperança

E o sentir mais profundo

Qu’a gargalhada traduz

 

E assim a alta finança

Toma conta deste mundo

Onde sorrir não seduz.

publicado por poetazarolho às 22:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 21.10.13

Bruxaria

 

É de vassoura na mão

Qu’a bruxa empertigada

Dá a todos uma lição

Correndo-os à vassourada

 

Pois vendo a podridão

Da situação que foi criada

Uns a tudo lançam mão

A outros sobra quase nada

 

Pr’a lutar só a bruxaria

Neste reino sem sentido

Com história tão trágica

 

Pode ser que assim um dia

Se recupere o senso perdido

Com uma boa poção mágica.

publicado por poetazarolho às 22:07 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 20.10.13

ECTS

 

Eu não sei, mas acredito

Qu’a bebedeira é creditada

E por desconhecer admito

Que no fim não sobra nada

 

Tal não é a borracheira

Em que o povo foi apanhado

Sistema tornou-se uma feira

Ficou tudo endividado

 

Mas com a disciplina nova

Lá na Europa inventado

O crédito será controlado

 

O povo já pouco prova

Não será muito afectado

O crédito passa-lhe ao lado.

publicado por poetazarolho às 20:10 | link do post | comentar
Quinta-feira, 17.10.13

Fabulástico

 

Era um burro comilão

Na fábula não era humano

Cortaram-lhe na ração

Um bocado a cada ano

 

Ao princípio foi fantástico

Era enorme a poupança

Mas um efeito bombástico

Depressa colou a pança

 

Burro deu em emagrecer

Fraquinho já nem pensava

Por fim perdeu o trambelho

 

Mesmo antes de morrer

O burro já não trabalhava

Isto é obra dum coelho.

publicado por poetazarolho às 00:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 15.10.13

Silvados

 

Reality show Portugal

Suspenso no orçamento

Onde antes o roseiral

É laranjal de momento

 

Mas muitos mais virão

Entre laranjas e rosas

Todos eles s’arranjarão

Em cerimónias pomposas

 

Restam espinhos e cardos

Quem sabe independência

Proclamada em congresso

 

Plantando alguns silvados

Que afastem a sapiência

Destes sábios do insucesso.

publicado por poetazarolho às 06:35 | link do post | comentar
Quinta-feira, 10.10.13

O pagode

 

Já não enganam ninguém

Os representantes do povo

Para São Bento e Belém

Votaremos neles de novo

 

Seremos povo enganado

Por nossa livre vontade

Será o erário esquartejado

Mas a bem da equidade

 

Será o povo reformado

A suportar este pagode

E no fim será esmifrado

 

Felizmente levamos o fado

Pois só fica quem não pode

Transformar-se em emigrado.

publicado por poetazarolho às 22:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 07.10.13

Hino à corrupção

 

Corte na sobrevivência

Deste país de ficção

Será por conveniência

Qual manobra de diversão

 

Ruído monstro e inusitado

Sem qualquer explicação

Vamos ver o resultado

Dum tamanho furacão

 

Tapar o sol com peneira

Não evita a insolação

Desta grande bandalheira

 

Que foi o pós revolução

Descarada a roubalheira

É um hino à corrupção.

publicado por poetazarolho às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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