Quarta-feira, 28.03.12

Poema sem poeta

 

Poeta que sem ser

Ninguém o vai usar

Até o podem esquecer

Ninguém o vai julgar

 

Escusa até de nascer

Ninguém o vai matar

Poeta que sem escrever

Não se esquece de rimar

 

O poema já existia

Perdido no meio de nada

Mas ninguém o escrevia

 

Até que uma mão usada

O fez sair da agonia

De um poeta sem poesia.

publicado por poetazarolho às 18:45 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 27.03.12

Convicções sem rosto

 

Não queira que o poeta

Escreva só do interior

Pode uma ideia abstracta

Procurar algo maior

 

Um poeta pode superar

Tudo aquilo que conhece

Pode mesmo intentar

Contra a vida me parece

 

Mesmo sem poeta ser

Mas dono de imaginação

Pensar já sem escrever

 

Escrever já sem sentir

Alguém roubar sua mão

E usá-lo para se exprimir.

publicado por poetazarolho às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 24.03.12

Coro de escravos

 

 

Dorso das asas douradas

Transporta o pensamento

As colinas são as estradas

Vais além do sofrimento

 

Da alma marcada a fogo

Que mais parece um tição

És tornado homem novo

E fogo atinge o coração

 

Choras a pátria perdida

E todo o tempo que passou

Memória no peito se cravou

 

Desta ausência terra querida

Teu destino não mais lembrou

Nunca por ti a história rezou.

 

http://www.youtube.com/watch?v=6bt9RTMDvX4

 

http://www.youtube.com/watch?v=-ZbitUoW-4g&feature=related

publicado por poetazarolho às 21:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 23.03.12

A torta da Maria

 

A Maria está afastada

Mas já esteve mais perto

E não lhe ligavam nada

Ele há muito chico esperto

 

Vão apodrecer bem longe

Vão pregar p’ro deserto

Vão estudar para monge

Que aproveitarão decerto

 

Eu de vós não aproveito

O mais ínfimo bocado

Quando passavam à porta

 

Nem mostravam respeito

A cara viravam p’ro lado

E eu agora é que sou torta.

 

http://maria-made-in.blogs.sapo.pt/43768.html#comentarios

publicado por poetazarolho às 23:39 | link do post | comentar
Quarta-feira, 21.03.12

Feita de avó

 

A mulher feita de avó

Em Timor recordações

Recorda e não está só

Já que tem dois corações

 

Um coração de criança

Lá no seu bairro moldado

Fez crescer perseverança

O mundo é qualquer lado

 

Outro coração colorido

Que nós bem conhecemos

Onde passa fica esperança

 

Sentido de dever cumprido

Isso é certo e nós sabemos

Bebeu amor não se cansa.

 

http://maria-made-in.blogs.sapo.pt/43074.html

publicado por poetazarolho às 20:03 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Segunda-feira, 19.03.12

Eleito

 

Timor já está a votar

Tem tudo para dar certo

Um candidato irá ganhar

Há-de ser o mais esperto

 

Dos espertos é a política

Esses sabem-se amanhar

Esta situação é verídica

Não preciso de explicar

 

Seja aqui ou em Timor

Riqueza é mal distribuída

Nunca em prol do povo

 

Que suporta o dissabor

De uma saga mal parida

Onde elege um aborto novo.

publicado por poetazarolho às 18:03 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 18.03.12

País ensarilhado

 

O nosso país vai parar

Se é que não estava parado

Fiz um esforço p’ra lembrar

Quando é que teria andado

 

Lembrei-me de o ver andar

Mas para trás ou de lado

E nunca para reconfortar

Um cidadão desesperado

 

Uma pátria que não cuida

Não merece ser cuidada

Não merece tanto filho

 

E sem uma receita fluida

Vai mesmo ficar parada

À mercê de qualquer sarilho.

publicado por poetazarolho às 20:56 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 16.03.12

Cantoneiros

 

Quando eu era pequenote

Estradas eram remendadas

Depois veio um fartote

E centenas de auto-estradas

 

Agora para meu espanto

Ao circular no meu carrão

Estradas estão num pranto

Nem lhes deitam alcatrão

 

Mas já vejo umas brigadas

Com algum equipamento

A remendar uns bueiros

 

No meu tempo com enxadas

E muito do seu sofrimento

Creio que eram cantoneiros.

publicado por poetazarolho às 22:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 15.03.12

Verbo de encher

 

Posso até estar enganado

Há muito verbo d’encher

No governo bem instalado

E que nos anda a comer

 

Comem um belo repasto

Por força da solenidade

P’ra nós o discurso gasto

O caminho é a austeridade

 

Mais tempo não queremos

Mais dinheiro também não

Aos mercados vamos voltar

 

Pode ser que nos afundemos

Mas sem qualquer contradição

Que o discurso veio p’ra ficar.

publicado por poetazarolho às 22:25 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 14.03.12

Ardil II

 

Vejo incompatibilidades

Não sendo incompatíveis

E nas impossibilidades

Não encontro impossíveis

 

Vejo todas as realidades

Tangíveis e intangíveis

E além de todas as verdades

Ainda utopias exequíveis

 

Vejo todas as limitações

Impossibilidades reais

E incompatibilidades mil

 

Resultado de limitações

Das redes neuroniais

De quem montou o ardil.

 

http://paulocarvalhosouza.blogspot.com/#!/2012/02/insanos.html

publicado por poetazarolho às 20:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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